sábado, 11 de dezembro de 2010

Num casamento...

Uma grande amiga casou. Casou e estupidificou... Pelo menos é a única justificação que encontro para tanta 'pirosada' junta. A Rita era uma pessoa normal, sempre gostou de coisas discretas e sempre disse que havia de ter um enlace simples. Por isso, quando vi o vestido de noiva confesso que fiquei indecisa entre um ataque de choro e um ataque de riso! De repente a Rita deixou de ser a noiva e estava transformada no bolo de noiva. Folhos, rendas, pérolas e outras variantes de apliques transformaram uma peça de roupa única numa aparatosa indumentária digna de um Drag Queen. E a juntar a isto um penteado ridículo a fazer lembrar Maria Antonieta! “Estás muito bonita!”, soltei com o sorriso mais cínico que consegui. Ela começou a chorar... Por momentos acreditei num rasgo de lucidez e pensei que ela trocaria o vestido de Carnaval por um dos muitos vestidos giros que sei que tem pendurados no armário. Mas não... “Estou a chorar de felicidade!”, explicou ela. “Tudo bem... Prossigamos... Que este dia vai ser animado... Ainda bem que nos casamentos o álccol abunda!”, pensei.
Depois de um verdadeiro desfile de horrores na Igreja com um grupo de conviados que parecia acabadinho de sair de um filme mau dos anos 80, seguiu-se o copo d'água. “Não acredito!” Arregalei os olhos, olhei e voltei a olhar... O meu maior pesadelo estava ali à minha frente. Uma pindérica qualquer – descobri depois que era prima do noivo – tinha um vestido igualzinho ao meu. Quer dizer, dois tamanhos acima! Mas igual!!! “E agora? Vou ao hotel trocar de roupa.” A ideia mal teve tempo de me passar pela cabeça quando um bando de miúdos irritantes já gritava a plenos pulmões: “Elas têm vestidos iguais! Elas têm vestidos iguais!” “Se não podes vencê-los, junta-te a eles”, pensei, largando um sorriso amarelo. Bebi um copo de vinho tinto quase de um gole só.
Ainda pouco confortável comecei à procura do meu lugar. “Está acompanhada?”, perguntou um dos empregados de mesa. “Não”, respondi. “Então é das solteiras?”, disse ele. “Digamos que estou a manter as opções em aberto”, ripostei. “Então o seu lugar é na mesa das solteironas”, atirou-me como um balde de água fria enquanto apontava para a mesa onde já se acomodava um grupo. “Só faltava colar uma placa nas costas das cadeiras a dizer 'rejeitados pela sociedade'”, pensei. Cumprimentei as 'crituras' que padecem da mesma 'doença' que eu – a solteirice aguda – e bebi outro copo de vinho tinto. E outro, e outro, e outro ao longo do jantar, até ter chegado o momento mais aguardado da noite pela ala encalhada. “A noiva vai atirar o bouquet!”, gritou uma quarentona eufórica enquanto atropelava quem se atravessava no caminho. Permaneci sentada. O álcool e o sangue já cohabitavam amigavelmente no meu corpo e levantar-me não era opção!

04 de Dezzembro de 2010

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