Disse-me em tempos um professor de Filosofia do liceu – agora chamam-lhe ensino secundário e eu sinto-me uma velha! - que eu estava desenquadrada da geração onde tinha nascido. Explicou-me ele que as pessoas nascidas nos anos 80 faziam parte do que ele designava de “geração contacto”, que as pessoas da minha idade saltavam para o colo umas das outras, que se tocavam por tudo e por nada e que não precisava de haver um motivo para se enrolarem uns com os outros. Ora passaram pelo menos 15 anos até eu perceber que estou de facto “fora do contexto”. E fiz esta bela descoberta, imagine-se, na Tailândia. Na mala levei... o biquini... o protector solar... repelente... ex-namorado... e... uma amiga traidora.... Pois é, Maria Diná – euzinha - deve ser a única mulher no mundo capaz de juntar na mesma viagem um ex-namorado e uma “grande” amiga e acreditar que o cliché da “melhor-amiga-que-vai-tentar-comer-o-teu-ex” não vai acontecer! Assim que o avião aterrou em Banguecoque e entrámos no táxi começou a descoberta da “geração contacto”. Euzinha mal tocava no ex, porque nesta coisa da proximidade com o ex é melhor não dar ideias se não queremos ter de passar à prática. Ela por sua vez passou todas as fases do platónico e saltou logo para a parte prática, mais concretamente para o contacto, e o tal “saltar para o colo e tocar por tudo e por nada” passou a soar-me a sirene dos bombeiros sempre a que a dita amiga se aproximava do ex. Ora comer do prato dele, beber do copo dele, gostar do que ele vestida, do que ele calçava, do que ele tossia, do que ele espirrava... eram – imagine-se! - “coisas da minha cabeça”, porque ela coitadinha não “fez nada com intenção” e só me “queria proteger” pois percebeu que “ele já não estava interessado” em mim. Eu posso estar fora da “geração contacto” mas felizmente ainda estou por dentro das minhas capacidades cognitivas e inteligência ainda é coisa que não me falta! E, diz a Regra Número Um do universo feminino que namorado de amiga, ex-namorado, marido, ex-marido, companheiro, ex-companheiro, possível namorado, ex-possível namorado, e outras variantes de relacionamento ligadas a uma amiga significam que o exemplar masculino em questão está fora do mercado! Fora, fuera, out! Por isso, e porque acho que para bem das mulheres do mundo há mensagens que não devem ficar por passar, resolvi passar a fazer parte da “geração contacto” e expressar à amiga traidora como actua Maria Diná no terreno...
21 de Outubro de 2010
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