A noite já ia longa e o cansaço era muito. O vestido estava colado ao corpo pelo suor, o penteado há muito que se havia desmontado a parecia ter dois rottweilers a morder-me os pés. Sentada no conforto do meu carro só tinha um objectivo: chegar a casa o mais rapidamente possível. Por isso, quando de repente vi acender a luz vermelha do semáforo olhei para a esquerda e direita e como não vi qualquer presença de um agente da lei segui o meu caminho. O semáforo seguinte voltou a fechar e aí senti-me na obrigação de parar, que eu até nem sou mulher de infringir a lei e, uma vez tudo bem, mas duas já é um abuso. Assim que coloquei o pé no travão alguém bateu na janela. De pé, com cara de poucos amigos estava um agente da lei, impecavelmente fardado e com um sorrisinho irónico. “Boa noite senhora condutora. Reparou no que acabou de fazer?”, perguntou ele num tom entre o cinismo e o sarcasmo. Olhei pelo espelho retrovisor e vi um carro da polícia. Só me apeteceu gritar aquela bela palavra ofensiva começada por “F”!! Mas limitei-me a sorrir, fazer o meu olhar de menina perdida numa cidade grande e soltar com uma vozinha ridicula: “Boa noite senhor agente. O que acabei de fazer? Só me recordo de ter parado aqui no semáforo vermelho.” Ele continuava a sorrir pouco convencido. “A senhora acaba de passar aquele semáforo vermelho!”, disse apontado para trás do meu carro. Portanto, eles viram a minha bela manobra e eu precisava deseperadamente de um plano B. “Tenho de sair do carro e mostrar as minhas pernas neste vestido curto, senão não me livro da multa”, pensei para comigo. Respondi ao senhor agente: “Semáforo? Qual semáforo? Vai dar-me licença mas preciso sair do carro para perceber que sinal foi esse que simplesmente não vi”. Abri a porta e saí muito lentamente quase numa manobra de mulher-elástica contorcendo-me toda e sorrindo bastante. Os “cães” continuavam a morder-me violentamente os pés, mas perante aquele cenário tinha de estar linda e glamourosa e fazer uma verdadeira operação de charme. Argumentei que o sinal luminoso não estava bem colocado, que naquele local parecia que de dirigia apenas aos condutores que iam seguir em frente e eu virei ligeiramente antes à esquerda, e que era uma pessoa responsável e bla, bla, bla. Nesta altura o segundo agente já estava fora do carro da polícia e parecia divertido com a minha explicação dos acontecimentos. Livrei-me da multa e acabei por sair daquela situação com uma simples advertência. A reter deste episódio: Não passar sinais vermelhos, mas se o fizer garantir que tenho um vestido ou uma saia bem curta!
11 de Setembro de 2010
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