domingo, 7 de novembro de 2010

Uma trintona na noite

Sexta-feira à noite... Coloco um vestido curto e saltos altos vertiginosos, aliso o cabelo e exagero na maquilhagem. É a vantagem de ser noite e as extravagâncias são permitidas. Apanho uma amiga em casa e rumo a um dos locais mais 'in' do momento. A fila é grande para entrar mas as vantagens de já ter 30 anos passa por conhecer todos os porteiros de discotecas da cidade. Um sorriso e um piscar de olhos e é levantada a fita que permite o acesso aos convidados 'vip'. Muito zum-zum e uns murmúrios pouco simpáticos das pessoas que aguardam há uns extensos minutos na fila, mas com isso lido eu bem.
Primeira paragem: o bar. E logo ali se começa a perceber o fenómeno 'homem na noite'. Um homem quando está num café, num bar ou na praia, ou noutro sítio qualquer que não uma discoteca, tende a apostar numa abordagem casual ou romântica. Ou seja, começa o discurso com uma frase do tipo “Olá, gostas desta música?” ou “Reparei em ti, achei-te interessante, o meu nome é ...”. Mas quando o homem está num espaço nocturno gosta de se evidenciar e aí começa a descarrilar no discurso e a abordagem tende a ser desastrosa. “O que é que bebes? Uma cerveja?” pergunta de rompante um tipo ao meu lado. Uma cerveja? Haverá coisa menos degradante para oferecer a uma senhora? A seguir vai perguntar o quê? Se quero um pires de tremoços para acompanhar? “Obrigada, prefiro pagar eu própria um Martini”, repondo e saio a bambolear-me já de copo na mão em direcção à pista de dança. Monta-se o cerco. De repente sinto que estou numa floresta e não passo de uma presa à espera que a matilha de lobos se organize para me caçar. À minha volta (e da minha amiga) há dois grupos de homens todos de frente para nós, todos de copo na mão, com a “tal” da cerveja na maior parte dos casos. Há um ou outro que se aventura na aproximação, mas os desastres sucedem-se. Um dos tipos é engraçado e até lhe dou o benefício da dúvida, mas quando lhe pergunto a idade percebo que a hora da retirada chegou. 25 anos? Mas alguém ainda ten 25 anos? E com aquele corpo engana bem! Pede-me o número de telefone e eu dou... Dou o número do senhor Alfredo, que é o senhor que vai lá a casa entregar a roupa passada. Eu sei que é chato mas é dos poucos números que sei de cor além do meu. E 25 anos? Ai Maria Diná, há requistos mínimos a ter em conta!
Três horas depois, já a cambalear e com a maquilhagem em mau estado decido que está na hora de dar por terminada a noite. Balanço da saída: Uma dor de pés, um consumo um bocadinho elevado no cartão que ninguém se ofereceu para pagar e uma maldadezinha com um miúdo de 25 anos... Há noites piores...

18 de Julho de 2010

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