quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Em busca de um 'objecto de distracção'

Não há nada melhor para curar uma desilusão amorosa do que um 'OD' – Objecto de Distracção. Li isto algures num livro de auto-ajuda para solteiras que uma amiga me deu em último recurso depois de eu ter acabado com o stock de lenços de papel de tanto chorar no regresso da minha viagem de férias. Se a autora do livro acha que sim e a minha amiga também, quem sou eu para contrariar? Vesti a minha melhor mini-saia, top reduzido, e endireitei-me em cima de uns vertiginosos saltos altos. Missão da noite: arranjar um 'OD'. Horas depois de ter dado início à triagem encontrei um candidato à altura: engenheiro civil, solteiro, na casa dos 30, com boa aparência. Perfeito! Trocámos números de telefone e dois dias depois o telemóvel tocou. Uns minutos de banalidades, risinhos parvos e vozinha de sedução e eis que ele me convida... Não para sair... Mas para fazer arborismo! Confesso que a característica número um do meu signo - a impulsividade – veio toda ao de cima. “Mas que raio é isso?”, perguntei em tom jocoso. Ele num tom calmo de professor da escola primária na primeira lição, explicou: “É um desporto radical em que atravessamos plataformas entre árvores, como escadas em corda, pontes supensas...” Portanto, e fazendo o ponto da situação: O cavalheiro acaba de me convidar para eu vestir a pele de Tarzan do século XXI mas em vez de me agarrar a uma liana, salto de árvore em árvore com cordas!!! Será que por ventura ele terá reparado no tamanho dos meus saltos na noite em que nos conhecemos, ou no tipo de indumentária que me cobria o corpinho? Eu não estava descalça, não trazia vestida uma tanga e não grunhia “Me Tarzan, you Jane”! Lá expliquei ao possível 'OD' que não era muito dada a desportos radicais, e que um convite para tomar café seria perfeito... Ele não pareceu ter levado a peito esta minha retirada estratégica do programa do arborismo e aceitou o MEU convite para sair. À hora marcada estava na minha morada. Chovia torrencialmente. Assim que abri a porta do carro dele a primeira coisa que e me disse foi: “Deixa o guarda-chuva lá atrás, mas no chão para não molhares o carro todo”. “Olha boa tarde para ti também e já agora se calhar é melhor voltar a entrar no meu prédio”, pensei comigo mesma. Mas estava tão empenhada em fazer do engenheiro o meu 'OD' que entrei no carro. O café revelou-se um pesadelo! Entre muitas barbaridades referiu-se a Silvio Berlusconi como presidente de Itália e para terminar a sessão em beleza, abriu a carteira e exibiu um monte de notas mas nem uma moedinha deixou de gorjeta. Distracção não faltou neste primeiro e último encontro!

14 de Novembro de 2010

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