Sempre me disseram para não esperar sentada porque o príncipe montado no cavalo branco jamais iria tocar-me à campaínha. Bom e a realidade é que eu vivo num oitavavo andar e certamente que seria complicado para o cavalo subir tantas escadas, ou tentar acomodar-se dentro do elevador. Mas, contra todas as possibilidades o príncipe apareceu... Não tocou à campaínha, simplemente parou o carro ao meu lado para pedir uma informação. Vamos por partes... Maria Diná, euzinha, saí enervada do meu local de trabalho para não fugir à regra e, quando vou na rua entretida a dizer mal do chefe mentalmente eis que um carro topo de gama pára mesmo ao meu lado. O vidro baixou e do outro lado o sorriso perfeito era tal e nos meus ouvidos começou a tocar a 'Marcha Nupcial'. O galã, parecia saído de uma publicidade de um daqueles perfumes masculinos que fazem qualquer mulher revirar os olhos. A conversinha começa: “Sabe dizer-me onde fica a esplanda 'x'?”, perguntou ele. “Não, mas no final da rua há uma esplanada cujo nome não me recordo. Talvez seja essa”, respondi entre sorrisos. De repente a cara dele mudou e o olhar ternurento da primeira abordagem acabava de tranformar-se em duas pupilas dilatadas de quem rapidamente me saltaria para cima. “Já nos conhecemos?”, soltou ele. “Não”, rosnei eu. “Sou o Pedro, podemos conhecer-nos?”, acrescentou ele. “Não”, rosnei novamente já a mostrar os caninos. O tipo decente de gravata chique, pele morena, e sorriso branqueado, que metera conversa comigo apenas minutos antes estava transformado num perfeito tarado! “Por que é que não nos podemos conhecer? Achei-a tão bonita, inteligente e interessante...”, insistiu ele. Ora portanto, vamos fazer um ponto de situação: Um tipo vai na estrada a conduzir, vê uma trintona no passeio, olha uma ou duas vezes e chega à brilhante conclusão de que ela é uma mulher “inteligente e interessante”. Pois... Na minha cabeça a 'Marcha Nupcial' há muito já tinha dado lugar àqueles acordes míticos de uma cena de filme em que a menina está no chuveiro e o assassino aparece com uma faca (não me recordo do nome da película). Ele continua à espera de resposta eu resolvo soltar em voz alta o que me vai no pensamento. Por que é que não nos podemos conhecer? “Porque não me apetece acabar cortada às postas dentro de um frigorífico! Mas obrigada pelos elogios.” Ele mudou de cor, arregalou os olhos e ficou petrificado. Eu sorri e continuei a andar. Afinal, talvez o príncipe apareça montado num cavalo branco lá em casa. A conduzir um carro topo de gama é que já começo a duvidar...
01 de Agosto de 2010
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