domingo, 7 de novembro de 2010

O vestido perfeito

Era só mais uma ida às lojas para me mimar. Não estava bem, o meu ego já tinha experimentado níveis mais altos e precisava de comprar qualquer coisinha. Entrei numa loja, dei a volta completa ao espaço, e levei para o provador um vestido básico, daqueles que não compromete ninguém – nem muito curto nem muito comprido, com um decote médio, e uma cor sóbria, azul escuro. Estava já eu despida quando uma mão masculina entra pelo provador segurando um trapinho minúsculo ‘azul eléctrico’. Do outro lado: “Experimente este vestido, foi feito para si. Tem o corpo perfeito para usá-lo”. Entrei no primeiro vestido às pressas e abri de rompante a cortina. Do outro lado uns expressivos olhos azuis fitavam-me. Mudei de cor, arregalei os olhos e, depois de me recompor soltei: “Obrigada, mas não pedi este vestido”. Resposta: “Não pediu, mas sei que vai vesti-lo e levá-lo.” Mas que é este homem? Pensei eu. Pensei e disse em voz alta: “E o senhor é quem?”. Resposta: “O empregado” E mais um sorriso daqueles que eu nem sabia que ainda existiam. “Entre no vestido e já falamos.” Fechei a cortina e lá me lancei dentro do mini-micro, ulta curto e decotado vestido, sem costas, e que realçava cada forma deste corpinho que já bateu nos 30. Confesso que gostei do que vi quando me olhei ao espelho, mas o trapinho estava para lá do que é considerado provocante! Do outro lado da cortina novamente a voz do meu mais recente galanteador: “Saia sem medos, tenho aqui uns saltos altos à sua espera.” Voltei a corar! Estas palavras ditas assim por um estranho mexem-me com o sistema nervoso. O empregado baixou-se e calçou-me os sapatos de saltos vertiginosos e eu senti-me a cinderela acabadinha de ser encontrada pelo seu príncipe encantado. “Perfeito”, disse ele. Olhei-me ao longe no espelho ao fundo do corredor. De facto o empregado sabia do que falava, senti-me nova! “Não saia daí. Este vestido estava reservado e ainda temos de convencer a gerente de que foi feito para si”, disse entre sorrisos branqueados o meu ‘príncipe da loja de roupa’. A gerente deixou-se convencer facilmente, mais pelo sorriso dele do que pela maneira como o vestido encaixava no meu corpo. E eu comprei o vestido que me tranformou em mulher fatal! Antes de sair da loja ainda agradeci ao empregado e ele fez questão de referir que uma nova leva de trapinhos chega já para a semana. Acho que volto a passar por lá... para me mimar...

26 de Julho de 2010

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