Tinha dores no corpo e na alma. Decidi fazer uma viagem para me esquecer dos problemas, mas na verdade levei o maior de todos eles na mala: o ex. Como eu estava para amar e ele não - vá-se lá saber porquê! - achei que uma massagem era exacatamente o que me estava a fazer falta, ao corpo e ao ego. Aconselhada por uma amiga chego ao destino. O inglês do funcionário é básico, e eu confesso que faltei às aulas de mandarim e cantonês. “Man or Woman?” Como assim? Então não se vê logo que sou uma menina? Graças a Deus ainda tenho um corpinho sarado e dois palminhos de cara! Após largos minutos, muitos gestos e vários tons acima do meu tom de voz normal, lá atingi o cerne da questão. Pois que quero um homem massagista, mas já agora que seja meiguinho! Oferecem-me um chá e convidam-me a deitar na mesa de massagem, uma daquelas com o buraquinho para colocar a cara. Nunca gostei que estranhos me tocassem e muito menos que eu não pudesse ver o que me estavam a fazer... Estava eu entretida nestes pensamentos, quando um cotovelo me atingiu a zona do pescoço sem dó nem piedade! Seguiu-se uma verdadeira tareia. Mãos, punhos cerrados, cotovelos. A dor era muita, a sensação de relaxamento era igual zero! E quando os senhor massagista me pegou pelos pés e me começou a fazer rodopiar pensei em levantar e... vá... começar a correr e a gritar, que eu não sou uma mulher violenta! Então eu vou fazer uma massagem para desanuviar e batem-me. Isto só pode ter sido encomendado pelo ex! Quando me virei de frente as coisas acalmaram. O senhor massagista começou a colocar-me umas pedras quentes no rosto até que parou e soltou um “ahhhhhh”. Abri os olhos e vejo o senhor massagista e mais três jovens (senhoras) de traços muito orientais com uma expressão de admiração. O que terá sido agora? Uma delas agarra-me as pestanas do olho direito e sorri. Pede às outras para tocarem. Tenho agora quatro estranhos abismados com as minhas pestanas a menos de 20 centímetros. Digamos que 20 centímetros é aquela minha margem de segurança em relação a estranhos, os tais que não gosto que me toquem. Na verdade as minhas pestanas são compridas mas eu aplico aquela coisa maravilhosa chamada máscara, indispensável em qualquer estojo feminino de uma ocidental. Ainda tentei explicar que aquele aparato todo à volta dos meus olhos não era assim tão natural, mas acho que a mensagem não passou. Abandonei o local já com nódoas negras nas pernas - “porque sou demasiado sensível”, são palavras do ex – e pronta, pelo menos achava eu, para lidar com o resto da viagem. Achava eu... Estávamos no terceiro dia e a “telenovela” estava apenas a começar...
23 de Outubro de 2010
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